Quando acordou não podia se mexer. Apesar de todo o espaço da cama ambos se espremiam, quase desafiando a lei da física. Acordou, não se moveu, muito menos abriu os olhos, ficou ali naquele universo pertencente a uma só pessoa – ele era o próprio universo e ela o habitava. Respirou muito fundo e bem devagar para absorver o máximo do seu perfume. Beijou-o levemente, tanto que nem percebera.
Mexeu-se um pouco, apesar de toda bela cena e de todo o carinho, a posição era um pouco desconfortável. Na verdade estava sentindo tudo muito estranho, há bem pouco tempo só dormia atravessada na cama ocupando todos os espaços – o máximo que acontecia era ter que dividi-la com alguém, cada um no seu quadrante, essa cumplicidade era nova.
Ele por sua vez dormia, mudou deposição quando ela se desvencilhou. Sua beleza parecia esculpida pela inspiração das inspirações. Ela se perguntava merecer tudo isso e agradecia concomitantemente em meio a pensamentos muito misturados. Sorria como ninguém a vira sorrir. Nisso ele desperta, sorri e o restinho de dia que tinha para nascer, nasce. Não tem bom dia, nem dormiu bem – apenas um abraço, ainda deitados, sem palavra alguma tudo o que tinha que ser dito foi dito.
Aquela cama e aquelas paredes eram testemunhas de que aqueles braços eram o melhor lugar do mundo.
terça-feira, 29 de abril de 2008
segunda-feira, 28 de abril de 2008
.N.Ó.S.N.A.N.U.V.E.M.

Sou disperso,
moro no éter,
ando dissipando aroma e sabores.
Todas as cores se perpetuam em mim
Até então tudo era redondo e girava
Sempre meio tonto.
Um dia encontrei um canto.
Nele então havia um par de olhos
Um par de mãos,
Um par de pés,
um par de corpos.
Desejosos por prazer,
Lívidos de desejo.
Prontos para se unirem
e se dissiparem segundos depois
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